Comunidade Evangélica de

Confissão Luterana em Lajeado
 

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MEDITAÇÕES

A Palavra de Deus é a relíquia das relíquidas, a única, na verdade, que nós, cristãos, reconhecemos e temos. (MARTIN LUTERO)

Quaresma - A Caminho da Páscoa

Estamos a caminho da Páscoa, a mais importante festa cristã. Esse é um tempo de reflexão e preparação. Trata-se de uma oportunidade para entender melhor as razões dessa festa e da fé que carregamos. Fé necessita ser constantemente reafirmada, renovada. Se não for assim, ela caduca, perde o seu sentido e a sua força. Festas e comemorações cristãs acabam vazias e sem sentido.

Fé corre riscos. A tentação de Jesus no deserto é um exemplo (Lucas 4.1-13). O crente pode perder o rumo. Todo dom que recebemos de Deus, se não for bem cuidado, também pode murchar e morrer. Há tentações de todos os tipos a serem enfrentadas. Quando o único objetivo na vida de alguém é satisfazer as suas necessidades materiais (“pão”), aí é hora de ouvir: “O ser humano não vive só de pão.” (v.4) Poder e riqueza podem virar a cabeça de uma pessoa e fazê-la sentir-se como um deus. Aí é hora de ouvir: “Adore o Senhor, seu Deus, e sirva somente a ele.” (v. 8). Seres humanos são passageiros. A fé também pode ser tão inebriante, tornar a pessoa tão autoconfiante, a ponto de pôr o próprio Deus à prova. A pessoa se joga na vida e espera amparo e proteção de Deus para tudo. Aí é hora de ouvir: “Não tentarás o Senhor, teu Deus.” (v. 12b) A nós cabe o pedir e o trabalhar; a Deus, o realizar, conforme a sua vontade.

Páscoa não é festa apenas de cristãos. O povo de Israel também tem a sua. Jesus foi celebrá-la em Jerusalém. O texto de Deuteronômio 26.1-11 fala dessa grande festa. Os participantes devem trazer os primeiros frutos da terra. Alegria não pode faltar: “Fique alegre por causa de todas as coisas boas que o Senhor deu a você e à sua família e faça uma festa com os levitas e com os estrangeiros que moram onde você vive.” Fé precisa de comemoração, de alegria. Ritos e celebrações, como as de Deuteronômio, ajudam a renovar e manter acesa a chama da fé. Quem ignora isso corre o risco de ver a sua fé murchar.

Festa tem que ter as suas razões. Os versos 5 a 9 resumem o motivo da comemoração. Os antepassados do povo de Israel eram nômades: Não tinham lugar certo onde morar. Desceram ao Egito e lá foram escravizados. Em meio a maus tratos e aflições, clamaram por ajuda. Suas orações foram dirigidas ao Deus dos seus pais: “Então oramos, pedindo socorro ao Senhor, o Deus dos nossos antepassados. Ele nos atendeu e viu a nossa aflição, a nossa miséria e como éramos perseguidos. Com a sua força e com o seu poder, ele fez milagres, maravilhas e coisas espantosas, e nos tirou do Egito, e nos trouxe até esta terra que nos deu, uma terra boa e rica.” Páscoa é passagem da escravidão para uma terra de liberdade.

Deus se revela na história coletiva e pessoal do ser humano. O povo de Israel experimentou isso. Deus tem ouvidos atentos e coração misericordioso para os aflitos, perseguidos e explorados, que clamam pelo seu socorro. Ele ouve. Ele vê. Ele tem compaixão. Ele desce para libertar e conduzir um povo escravizado para uma terra que dá frutos abundantes. Essa é a Páscoa israelita. Jesus se alegra e festeja por isso.

Fé não se funda na capacidade humana de superar as dificuldades da vida, que todos nós temos. Pelo contrário, ela se funda na certeza de que há um Deus ao lado de quem sofre. Assim escreve o salmista: “Deus é o nosso refúgio e a nossa força, socorro que não falta em tempos de aflição.” (Salmo 46.1)

Quem não consegue perceber a ação libertadora de Deus na sua vida e na vida do seu povo, não consegue celebrar, comemorar, festejar.

Quem não percebe isso fica com uma fé sem recheio, sem referência, sem sentido, sem alegria. Acaba tendo uma fé ranzinza, cheia de regras e doutrinas inúteis.

Em Hebreus 11.1 nós lemos: “A fé é a certeza de que vamos receber as coisas que esperamos e a prova de que existem coisas que não podemos ver.” Aqui se fala de uma fé que olha para frente, que espera o que há de vir da parte de Deus. Deuteronômio fala de uma fé que olha para trás e contempla o que Deus já fez na história do povo de Israel. Fé saudável e madura olha pra frente, espera, mas não se esquece do passado, do socorro que Deus já providenciou na vida pessoal e coletiva.

O tempo da quaresma está aí para redescobrirmos os fundamentos e as motivações da fé que toma conta de nós. Assim como os Israelitas, precisamos ir às origens da celebração da Páscoa cristã. Queremos festejar a Páscoa com motivo, com conteúdo e, sobretudo, com gratidão e alegria.

P. Luis Henrique Sievers - Pastorado escolar CSGA

Os sonhos da pessoa acordada

Foi assim que o filósofo grego Aristóteles definiu a esperança: como um “sonho do homem acordado”. É, ao mesmo tempo, uma insatisfação com o presente e um olhar para o futuro, ansioso por dias melhores. É aguardar o que ainda não se vê, mas pode se tornar real a qualquer momento. É consolo que ajuda a suportar os sofrimentos do presente e combustível para trabalhar pelo futuro que se sonha. Assim é a esperança. A experiência popular ensina que “a esperança é a última que morre”. Mas quando isso acontece, acabam-se os sonhos e ficamos presos ao presente.

O ser humano necessita de horizontes de esperança. O apóstolo Paulo menciona a esperança como uma das três virtudes cristãs, junto com a fé e o amor (1 Coríntios 13.13).

 

Essas três virtudes devem permanecer com o cristão todos os dias. Unidas, elas dão força e direção à vida.

A esperança cristã, no entanto, tem sua origem no próprio Deus, nas suas promessas. Ela permite que a pessoa enfrente o que há de vir com confiança, seguro dos seus cuidados.

“ _Saia da sua terra, do meio dos seus parentes e da casa do seu pai e vá para uma terra que eu lhe mostrarei. Os seus descendentes vão formar uma grande nação. Eu o abençoarei, o seu nome será famoso, e você será uma bênção para os outros.” (Gênesis 12.1-2) Essa foi a promessa de Deus a Abraão. Palavras de esperança que o motivaram a caminhar.

Também foram palavras de esperança que animaram Moisés e o povo escravo: “Então o Senhor disse: — Eu tenho visto como o meu povo está sendo maltratado no Egito; tenho ouvido o seu pedido de socorro por causa dos seus feitores. Sei o que estão sofrendo. Por isso desci para libertá-los do poder dos egípcios e para levá-los do Egito para uma terra grande e boa. É uma terra boa e rica.” (Êxodo 3.7-8)

É com palavras de esperança, de promessa de dias melhores, que Jesus motiva os seus ouvintes no Sermão do Monte: os pobres herdarão o Reino, os que choram serão consolados, os humildes receberão o que Deus tem prometido, os que têm fome e sede de justiça serão saciados, os misericordiosos experimentarão misericórdia, os de coração puro verão a Deus, os que promovem a paz serão tratados como filhos dele e os perseguidos e caluniados por fazerem a vontade de Deus terão uma grande recompensa (Mateus 5.3-10).

É a ação salvadora de Deus na vida das pessoas e na história humana que desperta a esperança e a confiança em tempos melhores.

 

Ela nos autoriza a sonhar acordados. As promessas de Deus se realizarão na forma e no tempo escolhidos por ele, não por nós.

A nós cabe botar a “mão no arado” e não olhar para trás (Lucas 9.62) O Reino de Deus está à frente. Faz parte do horizonte de esperança na direção do qual caminhamos. A maior qualidade da esperança não é fazer sonhar com o futuro. Mas essa estranha capacidade de nos libertar do presente e fazer caminhar na direção do horizonte, na direção daquilo que se sonha. 

P. Luis Henrique Sievers - Pastorado Escolar CSGA

Passos pedagógicos de Jesus

Quem tem uma mensagem para transmitir precisa pensar no jeito como vai fazer isso. Um bom conteúdo corre o risco de ser prejudicado pela forma de ser comunicado. Isso não é diferente para os cristãos. Somos chamados por Jesus para comunicar a sua mensagem. A tarefa nos parece, muitas vezes, impossível. Sentimo-nos como vasos de barro que carregam um tesouro, frágeis e sem jeito. (2 Coríntios 4.7)

 

No entanto, cremos que esta mensagem pode despertar a fé, acender a chama da esperança e promover a prática do amor fraterno. A comunicação tem um poder transformador. Podemos usar os mais modernos recursos e as mais variadas técnicas. A mensagem precisa chegar às pessoas, para que possa produzir os seus frutos: “Portanto, a fé vem por ouvir a mensagem, e a mensagem vem por meio da pregação a respeito de Cristo.” (Romanos 10.17). Como vamos fazer isso?

 

Quem nos chama para comunicar também é aquele que nos ensina a fazer isso. Tomemos como exemplo o episódio do caminho para Emaús (Lucas 24.13-35). Vamos perceber que todo o nosso corpo comunica, não apenas as nossas palavras. Gestos, movimentos e olhares fazem parte desse processo de comunicação da mensagem de Jesus. Vejamos:

- Jesus se aproxima dos dois discípulos. Não fica de longe, apenas assistindo o que se passa com eles. Pelo contrário, ele chega perto e caminha um bom trecho ao lado deles, em silêncio. Observa e escuta.

- Para entender melhor a situação deles, Jesus pergunta: “Sobre o que vocês estão conversando pelo caminho?” Ele quer saber quais as suas alegrias, temores e necessidades. A realidade concreta de cada  pessoa é o princípio de toda ação em favor de alguém. Jesus não pergunta por mera curiosidade, mas para saber como melhor ajudar aqueles dois.

- Jesus ouve, com paciência, o que eles têm a dizer. Eles relatam os últimos acontecimentos. Descrevem como se sentem. Saber ouvir faz parte da comunicação. Mensageiro não atropela a realidade, mas insere a sua mensagem dentro dela. Quem não ouve o que a outra pessoa tem a dizer, fracassa na comunicação. Erra o alvo. Pois “é conversando que a gente se entende!” 

- Só depois de se aproximar, caminhar junto e ouvir aqueles dois discípulos, Jesus fala. Ele explica as Sagradas Escrituras do seu tempo. Busca pistas para ajudar os dois a entenderem tudo o que aconteceu com ele, sua vida, morte e ressurreição. Para que os outros entendam o que nós temos para anunciar, é preciso estar por dentro do conteúdo da mensagem e saber explicá-lo. Nesse caso, a Bíblia é uma ferramenta muito importante.

- Jesus fica o tempo necessário com os dois discípulos. É noite e eles querem hospedá-lo Aceita o convite. Fica mais um pouco. Tem comunhão de mesa com eles. Quando Jesus dá graças e reparte aquela refeição, ele é reconhecido: “Aí os olhos deles foram abertos”. Gestos e símbolos também nos ajudam a revelar a mensagem. Só palavras não resolvem. Liturgias também comunicam.

- Mas chegou a hora de Jesus partir. Ele alcançou o seu objetivo: deixou o coração deles “queimando dentro do peito”. A mensagem chegou ao seu destino. O processo de comunicação foi completado. Eles estão prontos para andarem com as próprias pernas. Tornaram-se mensageiros. Receberam o peixe e aprenderam a pescar. Recuperaram a esperança.

- Com “o coração queimando dentro do peito”, esses dois discípulos saíram para o encontro com os outros. Compartilharam a sua experiência. Anunciar a palavra de Deus é tarefa coletiva, comunitária. Missão não acontece sem comunidade de fé. Ainda hoje, reconhecemos a presença de Jesus no partir do pão em nossas comunidades: “Dado e derramado em favor de nós!”

 

Comunicação se faz com “o coração ardendo dentro do peito”.

 

A mensagem transforma, em primeiro lugar, o próprio mensageiro. Toca-o, convence-o, toma conta do seu coração. Só então ele vai e fala. Não será esse “ardor” o sinal da presença do Espírito Santo de Deus? 

P. Luis Henrique Sievers - Pastorado Escolar CSGA

Os desgostos de Agosto

O mês de agosto tem lá a sua fama. É conhecido como o mês do “desgosto” e do azar. É difícil determinar exatamente a origem dessa tradição. Crendices e superstições foram criadas em torno dele.

Os romanos homenagearam o seu primeiro Imperador, Caio Júlio César Octaviano Augusto, com o oitavo mês do calendário gregoriano, que antes se chamava “sextilis”. Octaviano morreu em 19 de agosto de 14 d.C. O seu reinado foi o mais longo e durou 41 anos. “Augusto” significa sublime, elevado, consagrado. Sendo assim, por que se evitam, por exemplo, casamentos nesse mês, especialmente as mulheres portuguesas? De onde vem o desgosto de agosto?

A fama do mês de agosto é muito antiga. Os próprios romanos deram início a ela. O verão, na Europa, tornava a constelação de leão mais visível no período de agosto. Eles acreditavam que se tratava de um grande dragão cuspindo fogo pelos céus.

“Casar em agosto traz desgosto” também é um ditado ligado ao verão na Europa. No período das Grandes Navegações, os portugueses costumavam partir para as longas e difíceis viagens, de meses e até anos, nessa época. O retorno dos marinheiros recém-casados não era garantido. O receio das mulheres era ficar sozinha e viúva.

Agosto também tem a fama de “mês do cachorro louco”. No Brasil, é um período em que os cachorros contraem com mais facilidade a raiva. O aumento da “loucura canina” no mês de agosto pode ter uma explicação no cio das cadelas, aumentando a violência entre eles.

Além disso, alguns fatos históricos de relevância mundial ajudaram a aumentar a sensação de desgosto do mês de agosto. Vejamos alguns:

- No dia 24 de agosto de 1572, na França, no dia de São Bartolomeu, teve início o massacre aos huguenotes, que durou meses, vitimando quase 100 mil protestantes franceses.

 

- No dia 1º de agosto de 1914 teve início a Grande Guerra (1ª Guerra Mundial).

- Em agosto de 1939 teve início a 2ª Guerra Mundial.

 

- Nos dias 6 e 9 de agosto de 1945, Hiroshima e Nagasaki, respectivamente, foram destruídas por bombas atômicas.

 

- No Brasil, o então presidente Getúlio Vargas, no dia 24 de agosto de 1954, renunciou ao cargo e à vida.

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Não há nenhum fenômeno sobrenatural influenciando esse mês. Outros meses do calendário também têm os seus próprios desgostos e azares.

 

Medo e ignorância a respeito de fatos históricos e fenômenos da natureza frequentemente levaram o ser humano a formulações de crendices e superstições. Esse é o caso do mês de agosto.

É claro que as estações do ano, a lua, o sol, nossas condições sociais, experiências pessoais e até o estado de saúde física e mental influenciam o comportamento das pessoas e criam certos hábitos. Isso não é um problema em si. A coisa complica quando as pessoas se tornam reféns deles e ficam quase paralisadas em suas ações, com medo e receio de desgosto e azar. Tal dia não fazem isso e tal mês não fazem aquilo.

Aqui cabe lembrar as palavras de Jesus: “E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará.” (João 8.32). Buscar a verdade, conhecê-la e libertar-se daquilo que escraviza é tarefa do cristão.

P. Luis Henrique Sievers - Pastorado Escolar CSGA

Caminho para o diálogo

Por experiência, a conversa flui mais fácil entre pessoas que compartilham as mesmas ideias e comportamentos. O diálogo complica quando surgem discordâncias. Em princípio, as diferenças entre as pessoas não são ruins. Pelo contrário, tornam a vida mais dinâmica e desafiadora. Mas como tratar o diferente com respeito e consideração que merece se eu aprendi que o meu jeito de ser, viver e pensar é o “certo”? O outro, que pensa e vive diferente de mim, ou está enganado ou aprendeu errado. 

A situação complica ainda mais quando as diferenças e as divergências aparecem no campo da cultura, das tradições e até das religiões. A falta de entendimento entre as partes, não raro, leva grupos étnicos, países e religiões ao confronto e às guerras. Toda vez que isso acontece, fracassou o diálogo e venceu o ódio, a discriminação e a intolerância. Ao final, empobrecemos como humanidade.

Necessitamos de uma ética da convivência entre diferentes. Regras e princípios que garantam a riqueza da nossa diversidade e a justiça entre as partes.  Valores que promovam a convivência pacífica na pluralidade. A Regra de Ouro pode nos ajudar nesta tarefa. Jesus expressou-a assim: “Façam aos outros a mesma coisa que querem que eles façam a vocês.” (Lucas 6.31) Em muitas religiões e filosofias do passado e do presente, com algumas diferenças mínimas, nós encontramos a Regra de Ouro descrita da seguinte maneira:

Budismo – “Não firas aos outros com aquilo que te faz sofrer.” (Sutta Pitaka, Udanavagga 5,18)

Confucionismo – “O que não queres que te façam, tu não o faças aos outros.” (Confúcio: Analecta 15,23)

Hinduísmo - Não faças aos outros aquilo que, se fizessem a ti, te causaria pena. (Mahabharata 5.15.17)

Jainismo – “Na felicidade e no sofrimento, devemos nos abster de infligir aos outros aquilo que não gostaríamos que nos infligissem.” (Mahavira: Yogashastra, 2,20)

Fé Bahá’í – Não desejeis para os outros aquilo que não desejais para vós mesmos.” (Baha’u’llah: Kitab-i-Aqdas, 148)

Islamismo - “Verdadeiramente Deus ordena a justiça e fazer o bem.” (Corão 16:92) “ Nenhum de vós é crente até que deseje para seu irmão o que deseja para si mesmo.” (Sunnah)

Judaísmo - “Não faça a ninguém o que não queres que te façam.” (Tobias 4.15) “ O que para ti é detestável, não o faças tu ao próximo. Esta é toda a lei. O resto é comentário.” (Hillel: Talmud Babilônico, Shabbat 31a.)

Zoroastrismo -  “A boa natureza é aquela que se reprime para não fazer ao outro aquilo que não seria bom para ela mesma.” (Dadistan-i-Denik 49,5)

Tales de Mileto (600 a.C) - “Não faças o mal que vês nos outros.” 

Emanuel Kant -  “Age de modo tal que uses a humanidade, tanto em tua pessoa como em qualquer outra, sempre como um objetivo e nunca como simples meio.”

Essa regra básica e central, amplamente conhecida de tantas culturas e religiões, é um patrimônio inestimável da humanidade. É um princípio que pode facilitar relações menos discriminatórias entre as pessoas. Convida ao diálogo entre tantas partes diferentes e até conflitantes da sociedade sob a premissa de que os outros precisam do mesmo bem que quero para mim.  As próprias religiões têm nessa regra um terreno comum, sobre o qual podem aproximar-se umas das outras, em respeito e amor, e construir consensos sempre maiores e mais profundos (Cf. José Maria Vigil. Teologia do Pluralismo Religioso, p. 235)

Parafraseando Kant, citado acima, a humanidade que está em mim é a mesma que está na outra pessoa.

 

Quanto mais me aproximo dela, mais perto fico de mim mesmo. Assim como no espelho. Quanto mais perto dele, tanto mais e melhor eu me vejo.

 

P. Luis Henrique Sievers - Pastorado Escolar CSGA

Palavra de Deus

Conforme o primeiro livro da Bíblia, a palavra de Deus vence o vazio e a escuridão. Quando ele fala as coisas acontecem: “Então disse Deus: - Que haja luz! E a luz começou a existir.” (Gênesis 1.3) A partir da fé, a existência de todas as coisas sai da boca de Deus, inclusive a do ser humano: “Aí ele disse: - Agora vamos fazer os seres humanos...” (Gênesis 1.26). A natureza, com as suas belezas e a sua força, são um testemunho do poder da fala de Deus.

No começo de tudo está a Palavra de Deus. Quando ele fala cria vida. O evangelista escreve: “A Palavra era a fonte da vida, e essa vida trouxe a luz para todas as pessoas.” (João 1.4) Mais adiante em sua reflexão, João afirma: “A Palavra se tornou um ser humano e morou entre nós, cheio de amor e de verdade.” (João 1.14). Quando os cristãos falam da Palavra de Deus, estão se referindo primeiramente ao “verbo que se fez carne”: Jesus Cristo.

 

A Bíblia é o “berço de palha”, conforme Lutero. Quem não vê Jesus deitado dentro dele, fica só com a palha.

O desenvolvimento da fala e da escrita representa um salto de qualidade para o ser humano. São meios que transportam sentimentos, emoções, ideias, visões de mundo e de sociedades. Unem o nosso interior ao mundo exterior e vice-versa. Dão sentido e ajudam a organizar a nossa vida. O que não conseguimos comunicar pela boca, transmitimos em gestos, olhares, música e arte. Uma antiga canção diz em seu estribilho: “Palavra não foi feita para dividir ninguém, palavra é uma ponte aonde o amor vai e vem.” (Hinos do Povo de Deus 2, nº 415). Palavra é uma ponte que une dois lados que se comunicam.

Deus se comunica conosco. Ele fala para nos alimentar, pois não só de pão vive o ser humano (Lucas 4.4). Sua Palavra é Jesus Cristo. Como Igreja da Palavra, nossa tarefa é falar de Jesus Cristo, e este, crucificado (1 Coríntios 2.2). Ali encontramos o rosto de Deus a conversar conosco.

P. Luis Henrique Sievers - Pastorado Escolar CSGA

Liberdade e escolhas

Ninguém passa pela vida sem fazer escolhas. Não podemos ser nem ter tudo. Somos apenas uma pequena parte de tudo o que existe no universo. Quem se arrisca a “abraçar o mundo”, perde-se de si mesmo. Portanto, precisamos aprender a selecionar o que consideramos importante para a vida. Somos o que escolhemos ser, com os acertos e os erros desta tal liberdade.

Uma escolha depende das ofertas e oportunidades do momento. Liberdade tem seus limites. Por outro lado, selecionamos conforme valores, desejos e necessidades pessoais ou coletivas. Liberdade também tem seus condicionamentos. Entre a oferta e a procura tomamos as nossas decisões.

 

Parece simples, mas não é. Escolhas nos deixam muitas vezes angustiados, indecisos e temerosos.  Lá dentro de nós, perguntamos pelo que é certo, pelo que é errado, pelo que convém e pelo que não convém. Temos medo de errar. A estrada da vida tem bifurcações e atalhos desconhecidos, que não sabemos ao certo onde vão dar. Toda escolha envolve uma boa dose de risco. Certeza absoluta não existe. O medo pode nos paralisar. Precisamos avaliar bem e decidir.

 

A passagem bíblica de Deuteronômio 30.15 impressiona: “— Hoje estou deixando que vocês escolham entre o bem e o mal, entre a vida e a morte.” É uma oferta que Moisés faz a um povo já livre da escravidão do Egito. Parece uma proposta absurda, sem sentido. Quem não quer o bem e a vida? Uma leitura mais atenta revela que os caminhos da liberdade exigem de nós compromissos. A escolha pelo bem e a vida de todos precisa ser sustentada com palavras e ações. Escolher é também comprometer-se. 

 

As opções que Moisés oferece ao povo são as seguintes: 1) Permanecer junto a Deus e viver das suas bênçãos ou 2) Afastar-se Dele e correr o risco de uma vida breve e sem perspectiva (Dt 30.19). A escolha de ficar junto a Deus significava compromisso de obediência e amor a ele, bem como de cumprimento das suas orientações, como os 10 Mandamentos, por exemplo.

 

Também em questões de fé precisamos tomar decisões. As ofertas são muitas. Nossa sede por espiritualidade e sentido da vida é grande. Muitas são as dúvidas e os temores que assombram as pessoas. São tantas vozes a gritar “é por aqui!” Há um caminho seguro?

 

O apóstolo Paulo propõe um caminho que, nas suas palavras, “é o melhor de todos”: o amor (1 Coríntios 13). Quem decide trilhar pelo caminho do amor assume o compromisso com certo comportamento. Nas palavras de Paulo: “Quem ama é paciente e bondoso. Quem ama não é ciumento, nem orgulhoso, nem vaidoso. Quem ama não é grosseiro nem egoísta; não fica irritado, nem guarda mágoas. Quem ama não fica alegre quando alguém faz uma coisa errada, mas se alegra quando alguém faz o que é certo. Quem ama nunca desiste, porém suporta tudo com fé, esperança e paciência.” 

Aquilo que costumamos chamar de “destino” tem muito a ver com as opções que fazemos na vida. Basta olhar para trás. Ele é, em grande parte, o resultado das nossas escolhas, certas ou erradas.

 

Queremos liberdade e direito de escolha. Mas nem sempre queremos assumir os compromissos resultantes das opções que fazemos. Então experimentamos frustrações e não chegamos a lugar algum. Todo caminho precisa ser trilhado, percorrido, para se chegar ao destino. É como querer amor sem querer amar. 

 

P. Luis Henrique Sievers - Pastorado Escolar CSGA

Tomé

Tomé tinha dificuldades de crer na ressurreição de Jesus. Ele não estava só com a sua dúvida. O grupo religioso dos Saduceus inclusive negava que pudesse haver ressurreição. Mesmo diante do testemunho dos seus colegas discípulos (“Nós vimos o Senhor!”), Tomé não conseguia crer. 

 

Há momentos na vida em que as simples palavras não bastam. Quando as dúvidas se instalam, elas corroem todas as certezas e abalam as mais profundas convicções. É preciso, então, ver para crer. Tomé precisava ir mais longe ainda para vencer suas dúvidas. Nas suas palavras: “— Se eu não vir o sinal dos pregos nas mãos dele, e não tocar ali com o meu dedo, e também se não puser a minha mão no lado dele, não vou crer!” (João 20.25b) Tocar para crer! Tomé precisava de provas materiais.

 

Tomé teve a oportunidade de tirar a limpo esta sua dúvida sobre a ressurreição. Oito dias depois, quando ele e os outros discípulos estavam reunidos, com portas trancadas, Jesus apareceu no meio deles. Depois de saudar a todos, ele disse a Tomé: “— Veja as minhas mãos e ponha o seu dedo nelas. Estenda a mão e ponha no meu lado. Pare de duvidar e creia!” (João 20.27) Para surpresa de todos, Tomé não toca nas feridas. Ao ouvir a voz de Jesus ele exclama: “— Meu Senhor e meu Deus!” (João 20.28) Não foi pelo ver e nem pelo tocar que Tomé creu, mas pelo ouvir a voz de seu Senhor.

 

Basta ouvir para crer! Palavras tocam o coração e transformam vidas.

 

Nelas e através delas o Espírito Santo atua para levar as pessoas a crerem nas promessas de Deus. Segundo o evangelista João: “A palavra se tornou um ser humano e morou entre nós, cheia de amor e de verdade.” (João 1.14) Essa “Palavra Viva”, que é Jesus, nós pregamos em nossas Comunidades, especialmente aos domingos, no culto. É preciso ter ouvidos para ouvir e crer.

 

A vitória da vida sobre a morte começa no nível da fé. Vem antes e vai além do ver e tocar de Tomé. Sem poder ver ou tocar, Abraão e Sara confiaram nas promessas de Deus e se colocaram a caminho de terras desconhecidas. Sem ainda poder ver ou tocar, sob a liderança de Moisés, os escravos partiram do Egito em busca da terra que é doce como o mel e sustenta como o leite. Sem ainda poder ver ou tocar, os cristãos se colocam a serviço do Reino de Deus. Em suas orações renovam essa esperança todas as vezes que pedem: “Venha o teu Reino!”.

 

Ver e tocar estão no nível das comprovações, do que é material. Não exigem fé. Requerem aceitação. A fé, pelo contrário, é carregada de promessas e de esperanças. Vê além das comprovações. Alimenta o sonho de mudanças. É prenhe de uma nova vida. Nas palavras de Jesus: “— Felizes são os que não viram, mas assim mesmo creram!” (João 20.29)

 

Fé faz olhar para frente. Confia no novo que ainda não pode ser visto ou tocado. Não se conforma. Crê que pode ser diferente. Dá forças para vencer distâncias e desertos. Não teme porque vê vida nova para além da morte: Ressurreição. Não é preciso ver nem tocar. Só de ouvir falar crê. Vence o medo da morte e se entrega à vida de testemunho e serviço, tal qual Tomé.

 

P. Luis Henrique Sievers - Pastorado Escolar CSGA

Sentido da Quaresma

Para os evangélicos luteranos, como para a grande maioria dos cristãos, quaresma é um período de reflexão e prática, que visam à preparação da Páscoa, a mais importante festa cristã. Essa preparação faz parte do Ano Litúrgico da Igreja desde meados do século IV. Sua importância reside no fato de nos ajudar a compreender melhor a ressurreição operada por Deus em Jesus Cristo e o que esse fato significa para seus seguidores e seguidoras. Na ressurreição de Jesus Cristo está contida a promessa de nossa própria ressurreição. A fé nessa promessa nos liberta de qualquer forma de escravidão nesse mundo e nos compromete e anima a darmos sinais dessa nova vida no presente: “Seja feita a tua vontade assim na terra como no céu.”

 

A quaresma faz lembrar de alguns momentos cruciais na vida do povo de Deus. A barca de Noé enfrentou quarenta dias as águas do dilúvio até encontrar terra firme novamente.

 

Para sair da escravidão e alcançar a liberdade, “terra com leite e mel” (Êxodo 3.8), foram precisos quarenta anos enfrentando o deserto. Quarenta dias de tentações e provações no deserto não fizerem Jesus desistir da sua missão entre nós.

 

É por isso que a quaresma nos remete para uma reflexão a respeito das nossas próprias provações e tentações em busca do Reino de Deus entre nós. No silêncio e na meditação, os evangélicos luteranos procuram identificar as suas próprias falhas, as suas infidelidades ao projeto de Deus, as suas omissões ao chamado de ser sal da terra e luz do mundo (Mateus 5.13-16) e os seus tropeços na busca dessa vida nova em Cristo Jesus.

 

No mundo contemporâneo, o Calendário Litúrgico da Igreja Cristã não dita mais, com tanta força, as regras para o calendário civil. Mais e mais as observâncias ligadas a determinadas festas eclesiásticas ficam restritas ao âmbito da própria igreja e seus fiéis. Algumas práticas ligadas à observância da quaresma como, por exemplo, o jejum, o silêncio, não dançar, não ouvir música e comer somente peixe na sexta-feira santa estão perdendo sua força e seu sentido, especialmente entre os jovens.

 

É próprio e saudável da parte das gerações mais jovens perguntarem pelo sentido e até contestar determinadas práticas que recebem como herança, também as cristãs. “No futuro os seus filhos perguntarão: ‘Por que foi que o Senhor, nosso Deus, nos deu estes mandamentos e estas leis?” (Deuteronômio 6.20) É tarefa das gerações mais velhas explicar o sentido de determinadas atitudes e tradições. É nesse “conflito de gerações” que também a fé cristã e suas tradições vão se contextualizando e ganhando novos contornos, novas formas de expressão.

 

Os meios de comunicação também contribuem para a formação de opinião das pessoas. A internet, por exemplo, dá acesso a uma gama quase imensurável de informações. É tarefa dos meios de comunicação disponibilizar boa e ampla informação para que a formação de opinião dos jovens seja embasada, evitando a superficialidade e o senso comum.

 

Um pouco antes de sua prisão, morte e ressurreição, Jesus pediu ao Pai pelos seus discípulos: “Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal.” (João 17.15) Que mal é esse que nos impede de termos uma via boa e plena? Certamente muitos chegariam à conclusão de que a falsidade, o egoísmo, a violência, a mentira, a arrogância, a corrupção e a inveja fazem parte desse mal que nos impede de vivermos bem uns com os outros. Vamos então abandonar esse comportamento. Quaresma é tempo de rejeitar o que é mau e assumir o compromisso com o que é bom e agradável a Deus e ao próximo.

 

Existem também formas modernas de fazer jejum. Renunciar a algumas práticas, costumes e hábitos no período da quaresma podem nos fazer muito bem, além de devolver a sensação de liberdade e controle sobre a nossa própria vida. Veja esses exemplos: 

 

- Deixe a internet e a televisão um pouco de lado e invista mais tempo na convivência com os seus familiares e amigos;

- Tome menos refrigerante e mais água na quaresma;

- Deixe o carro na garagem e ande mais a pé. Vai fazer bem para a sua saúde e o meio ambiente agradece;

- Deixe de se preocupar apenas com seus próprios problemas e visite uma pessoa solitária ou doente. A solidariedade é remédio para o corpo e a alma de quem dá e de quem recebe;

- Deixe o egoísmo de lado e invista, voluntariamente, tempo em uma causa coletiva, em projetos que ajudam os necessitados;

- Deixe de comer e beber exageradamente. A nossa saúde também depende do que colocamos na boca;

- Controle a sua língua, pois ela pode causar muito estrago.

Apesar de ser pequena, ela pode dar a direção da nossa vida, como um leme dá a direção de um navio (Tiago 3.4)

 

Pastor Luis Henrique Sievers - Pastorado Escolar CSGA

Natal sem nascimento

É possível uma coisa dessas: Falar do Natal Cristão sem o nascimento de Jesus? Afinal de contas, “natal” leva a pensar no nascimento de uma criança. A “taxa de natalidade” mede justamente o número de nascimentos em um país ou região.  Quando uma mulher está grávida, é recomendado fazer o “pré-natal”. São exames e monitoramento médico para garantir que a gestação transcorra bem e o nascimento saudável e seguro da criança esteja minimamente garantido. Falar do Natal Cristão sem pensar no nascimento de Jesus Cristo parece ser algo quase impossível.

Dos quatro Evangelhos que encontramos na Bíblia, apenas dois relatam a história do nascimento de Jesus (Mateus e Lucas). Marcos nem menciona o fato. Jesus simplesmente vem adulto de Nazaré, na Galileia, para ser batizado por João, no Rio Jordão. Ele começa a sua atividade pública dizendo: “— Chegou a hora, e o Reino de Deus está perto. Arrependam-se dos seus pecados e creiam no evangelho.” (Marcos 1.15) O Evangelista João não fala propriamente sobre o nascimento de Jesus, mas começa declarando que “a Palavra se tornou um ser humano e morou entre nós, cheia de amor e de verdade.” (João 1.14).

O nascimento de Jesus passou a ter maior importância para as comunidades cristã apenas no século IV d.C.  A Páscoa, com a mensagem da ressurreição, foi e continua sendo a principal festa cristã. A data exata do nascimento de Jesus é desconhecida até hoje e é motivo de controvérsias entre os especialistas. Foi estabelecido, pela Igreja, o dia 25 de dezembro para facilitar a conversão das pessoas ao Cristianismo. Nessa data se comemorava, em todo Império Romano o nascimento anual do Deus Sol, no solstício de inverno, no hemisfério norte. Fiéis à herança do Antigo Testamento de não fazer imagens de Deus, os cristãos passaram a propagar que  Jesus Cristo é a luz , “a luz verdadeira que veio ao mundo e ilumina todas as pessoas.” (João 1.9)”

O centro da mensagem de Natal é que o salvador esperado, o Messias chegou. Não há necessidade de esperar outro. Jesus é Deus mesmo entre nós: Emanuel (Deus Conosco!).

 

Sua presença em Jesus irradia grande luz. Natal é um convite para deixar-se iluminar e seguir essa luz: “— Eu sou a luz do mundo; quem me segue nunca andará na escuridão, mas terá a luz da vida.” (João.8.12) Essa é a luz que ilumina a vida de quem quer ser cristão. Ela também compromete o iluminado a iluminar: “— Vocês são a luz para o mundo... Assim também a luz de vocês deve brilhar para que os outros vejam as coisas boas que vocês fazem e louvem o Pai de vocês, que está no céu.” (Mateus 5.14ª e 16) O novo vem ao mundo, ali onde somos capazes de fazer brilhar a luz que vem de Cristo Jesus. 

Martin Luther King, ativista negro norte-americano, disse certa vez: “A escuridão não pode expulsar a escuridão, apenas a luz pode fazer isso. O ódio não pode expulsar o ódio, só o amor pode fazer isso.” A luz tem no amor a sua mais poderosa arma de transformação da realidade, de combate à escuridão: “Quem ama o seu irmão vive na luz... Mas quem odeia o seu irmão está na escuridão, anda nela e não sabe para onde está indo, porque a escuridão não deixa que essa pessoa enxergue.” (1. João 2.10 e 11)

É Natal sempre que a luz de Jesus Cristo brilha através dos seus discípulos. Os frutos dessa luz são bem claros: "Por isso vivam como pessoas que pertencem à luz, pois a luz produz uma grande colheita de todo tipo de bondade, honestidade e verdade. Procurem descobrir quais são as coisas que agradam ao Senhor." (Efésios 5.8b-10) 

 

Pastor Luis Henrique Sievers - Pastorado Escolar CSGA

Papo de anjo

Anjos são mensageiros de Deus. E mensageiros precisam ter papo, saber falar. Devem ser tão reais quanto uma pessoa; tão alegres quanto uma canção; tão leves quanto um pensamento; tão profundos quanto um sentimento. Mensagens precisam chegar ao seu destino. A mensagem para Maria foi: “— Não tenha medo, Maria! Deus está contente com você. Você ficará grávida, dará à luz um filho e porá nele o nome de Jesus.Ele será um grande homem e será chamado de Filho do Deus Altíssimo.” Boa notícia para Maria: dar á luz um filho! E ele será importante na história do seu povo e do mundo. Ela cantou sua alegria: “O meu espírito está alegre por causa de Deus, o meu Salvador”. 

No princípio eram apenas Maria e José, que se amavam. “Então Maria deu à luz o seu primeiro filho. Enrolou o menino em panos e o deitou numa manjedoura, pois não havia lugar para eles na pensão.” Começo difícil para um jovem casal. Depois nasceram também os irmãos e irmãs de Jesus. Na cozinha de Maria e na carpintaria de José as crianças brincavam. É na família, pequena ou grande, que se aprendem os primeiros passos para a vida. Com Jesus não foi diferente. A família também é porto seguro quando tudo parece perdido. Deus “dá aos abandonados um lar onde eles podem viver”. (Salmo 68.6ª)

Uma canção de advento diz assim: “É preciso parar. É preciso lembrar que Cristo veio para nos salvar.” É boa notícia que não pode ficar guardada. Ela quer ser espalhada. É luz que não pode ficar escondida. Assim foi o papo do anjo  com os pastores de ovelhas: “— Não tenham medo! Estou aqui a fim de trazer uma boa notícia para vocês, e ela será motivo de grande alegria também para todo o povo! Hoje mesmo, na cidade de Davi, nasceu o Salvador de vocês — o Messias, o Senhor! Esta será a prova: vocês encontrarão uma criancinha enrolada em panos e deitada numa manjedoura”.  Quanta esperança deitada num cocho de tratar animais! Onde está deitada a nossa esperança de salvação? 

O novo chegou. “O menino que nasceu é o próprio Deus do céu.” Ele está no meio de nós. É “Emanuel”, Deus conosco.

 

Dá forças para propagar a justiça que promove a paz entre as pessoas e os povos. É amor que sara as feridas do corpo e da alma. Ele quer fazer morada no coração da gente. “Jesus Cristo, minha vida seja só a ti rendida. Vem, ó vem em mim morar, minha vida iluminar.” Quando esse milagre acontece, “então é Natal”. O novo chegou em minha vida.

 

Pastor Luis Henrique Sievers - Pastorado Escolar CSGA

Já tenho tudo na vida

Nunca me esqueci do que me disse um amigo empresário após uma visita que fez ao seu amigo de longa data, um bem sucedido empresário.  Ele disse, “Acho que  ele está carente é de amor”.  

 

Querido leitor, hoje é notório que temos conquistado avanços em muitas áreas, temos cada vez mais acesso a bens, tecnologia, viagens, entretenimento, comida, carros, etc..  Ao mesmo tempo crescem as neuroses, fobias, solidões, separações, doenças dos mais diversos tipos, dores, lágrimas visíveis ou escondidas, etc..   Eu quero lhe convidar a pensar comigo.  Porque existe um senso de vazio e solidão tão grande nos dias de hoje?  Será que não está faltando algo importante no meio de tantas conquistas materiais?

O pesquisador e teólogo Christian A. Schwarz escreve “Carência de amor—apesar de tudo que se fala na mídia a respeito do amor, esta é a enfermidade de nosso tempo.” (“Aprendendo a Amar”- p. 15).   Será que não estamos buscando soluções ou “preenchimentos” nos lugares errados?  Penso que todos nós concordamos que uma vida sem amor é triste, deprimente, oca, até desesperadora!  E podemos afirmar que, quando existe amor, a vida floresce, ficamos mais fortes, unidos, saudáveis, criativos, seguros, felizes!!  O amor é o grande diferencial da vida!

Claro que não estamos falando meramente de um sentimento fugaz, passageiro, mas de uma ação consciente e incondicional de querer ajudar e causar o bem e alegria a alguma pessoa. Necessitamos muito do amor baseado no grande atributo de Deus, o amor-doação, que se presenteia a si mesmo em benefício do outro!   Este amor não se perde “filosofando” ou se perdendo em conceitos ou desculpas, mas sim na prática do doar-se em prol do outro sem nada esperar em retorno.  Este é o amor que nos é dado em Cristo Jesus, ele doou-se incondicionalmente querendo nos ajudar a encontrar e viver no amor divino, eterno que Deus, o Pai tem por todos nós!  Veja na Bíblia I João 3.16-18 e 4.7-12.

Pense: não é o amor que faz toda a diferença na vida?  Você não acha que precisamos de muito mais amor em nossa vida familiar, na Comunidade, na sociedade?

 

Não nos enganemos, sem amor nada pode preencher nossa vida.   Que tal termos como meta na vida amar com intensidade e qualidade?  O resto é consequência...

Desejo que cada um de nós viva com muito amor.  É isso que fica!  É isso que marca!

 

No amor de Cristo por cada um de nós,

 

P. Eric P. Nelson

Ômega, a última letra

O “ômega” é a última letra do alfabeto grego, que começa com o “alfa”. O alfabeto da língua portuguesa vai de “a” a “z”.  Com suas letras formulamos sílabas, palavras, frases, expressões e conceitos. Mas, qualquer que seja o alfabeto, ele tem o seu início e o seu fim; seu “alfa” e seu “ômega”, seu “a” e seu “z”. Dentro desses limites, formulamos e expressamos o que sentimos e pensamos. Tem sentido. Posso me comunicar com as outras pessoas. Compreender e ser compreendido.

Assim é também com a vida. Tem seu começo e seu fim. É transitória. A morte faz parte do pacote. Quem aceita viver tem que saber morrer, contar com o seu “ômega”. Não somos Deus. A imortalidade não faz parte dessa vida. Vida humana é sempre limitada. Como no alfabeto, escrevemos a história da nossa vida entre um princípio e um fim. Quem sabe contar com o seu fim se torna uma pessoa sábia (Salmo 90.12). O “ômega” não deveria levar as pessoas ao desespero. Ele quer ajudar a dar sentido aos seus dias, no espaço e no tempo.

Embora a morte atinja a todos os seres vivos, para o ser humano, que tem consciência dela, é diferente morrer com Deus ou sem Deus. A palavra “apocalipse” é injustamente usada para falar de um fim horroroso e catastrófico. Essa palavra grega significa, na verdade, “revelação”. No início do último livro da Bíblia lemos: “Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, que é, que era e que há de vir.” (1.8) São palavras de consolo. Não promovem o desespero, mas a esperança. Não é o caos e o nada que vão prevalecer. É Deus que há de vir em socorro da sua criação. Ele reinará “assim na terra como no céu” (Pai Nosso).

A Bíblia conhece a morte como um sono (1 Tessalonicenses 4.13). O despertar deste sono para uma nova vida é chamado de “ressurreição”: “Pelo seu poder Deus ressuscitou o Senhor e também nos ressuscitará a nós.” (1 Coríntios 6.14) Não se trata da recauchutagem de um pneu velho que continua rodando. Não é reavivamento de defuntos. É nova criação! Como no princípio também no fim.

O reformador Martin Lutero se expressou da seguinte forma: “No nosso caso, mais da metade da ressurreição já é fato consumado, pois a cabeça e o coração já estão lá no alto, restando apenas a menor parte, ou seja, que o corpo seja enterrado, para que também este seja renovado.” (CF83, 09/04) Por dentro e por fora, tudo novo!

 

Não é o “ômega”, o fim, a morte, que prevalece. No princípio e no fim está Deus, criador e mantenedor da vida.

Não há motivo para desespero, mas para uma firme esperança. Nossa tarefa é consolar e incentivar as pessoas: “Portanto, animem uns aos outros com essas palavras.” (1 Tessalonicenses 4.18) É preciso manter cabeça e coração voltados para essa nova vida. Já podemos viver dessa esperança, dar “sinais de paz e de graça, neste mundo que ainda é de Deus. Em meio aos poderes das trevas manifestam-se as forças dos céus.” (HPD1, hino 165).

 

Pastor Luis Henrique Sievers - Pastorado Escolar CSGA

Elogio à loucura cristã

Há um ditado popular que diz: “De louco todo mundo tem um pouco.” Sigmund Freud, o pai da psicanálise, diria que ela faz parte de nós. O ser humano vive na companhia da loucura.

Ela pode ser resultado de uma doença mental como a neurose, a depressão, a psicose. Nesse caso é tarefa da medicina, especialmente da psiquiatria e psicanálise, ajudar a tratar ou manter sob controle. Mas há também a loucura que  resulta de pensamentos e atitudes considerados anormais pela sociedade, dependendo de onde cada um de nós vive. O que é loucura no Brasil pode não ser na África.

Grandes pensadores da humanidade trataram dessa forma de loucura. Homero, por exemplo, considerava que os seres humanos eram possuídos por deuses, que se expressavam nas suas “manias”. Sócrates falava de várias formas de loucura. Uma delas era a profética. Os deuses se comunicam com as pessoas possuindo o corpo de uma delas para transmitir as suas mensagens. Havia também a loucura ritual, segundo Sócrates. Essa se manifestava em momentos de êxtase, como através da dança, por exemplo. A terceira forma de loucura era a poética, inspirada pelas musas. O filósofo dialético Hegel considerava a loucura um desarranjo mental. A razão continua presente, mas as ideias não são compreendidas pelos outros.

Dentro dessa linha de pensamento, considerada anormal pela sociedade, também os cristãos foram considerados loucos.

 

No lugar onde o cristianismo surgiu, havia duas formas bastante difundidas e aceitas de pensamento “normal”. Elas aparecem nas seguintes palavras do Apóstolo Paulo: “Os judeus pedem milagres como prova e os gregos buscam a sabedoria.“ (1 Coríntios 1.22). Tanto a sabedoria como os milagres representavam força e poder nas mãos das pessoas daquele tempo. Quando os cristãos começaram a anunciar Jesus Cristo crucificado como poder e sabedoria de Deus, foi um escândalo, uma loucura. Parecia impossível aceitar essa forma de pensar. A cruz representava fraqueza e morte. Como é possível, a partir desse fato, estruturar um novo jeito de viver, com valores completamente diferentes de poder e sabedoria humana? “Pois aquilo que parece ser a loucura de Deus é mais sábio do que a sabedoria humana, e aquilo que parece ser a fraqueza de Deus é mais forte do que a força humana.” (1 Coríntios 1.25)

A cruz de Cristo é a expressão mais profunda do amor de Deus pela sua criação. Um amor que não faz uso de nenhuma forma de poder, nem mesmo diante da tortura e da morte: “Se descer agora mesmo da cruz, nós creremos nele!” (Mateus 27.42). Um amor dado, não conquistado, derramado, não represado, como fundamento e fonte de um novo jeito de ser e viver. Esse é o novo caminho proposto a nós pelo exemplo de Jesus: “Amem uns aos outros como eu amo vocês.” (João 15.12) Não o poder nem a sabedoria humana fazem de Jesus Filho de Deus, o Criador, mas o amor. Na mesma medida, não o poder  e nem a sabedoria fazem de nós seguidores e seguidoras de Jesus Cristo, mas o amor: “E, acima de tudo, tenham amor, pois o amor une perfeitamente todas as coisas.” (Colossenses 3.14)

Que loucura!

Pastor Luis Henrique Sievers - Pastorado Escolar CSGA

Fé. O que é isso?

Fé é combustível para a vida do ser humano. Ela é confiança para quem se põe a caminho. É energia que torna real o que no princípio era apenas um sonho. Concede forças para enfrentar os obstáculos. Resistência e perseverança diante das tempestades. Ela nos compromete com algo pelo qual vale a pena viver e morrer. Fé é componente essencial da vida. Sem ela, o ser humano não sai do lugar, não caminha em direção alguma. Abrão, o “pai da fé”, segundo os textos bíblicos, partiu da sua cidade natal só com uma promessa: “— Saia da sua terra, do meio dos seus parentes e da casa do seu pai e vá para uma terra que eu lhe mostrarei. Os seus descendentes vão formar uma grande nação. Eu o abençoarei, o seu nome será famoso, e você será uma bênção para os outros.” (Gênesis 12.1-2).

Fé tem seu objeto de desejo. Está direcionada para algo ou alguém. Ela se orienta pelo seu tesouro. Dele se alimenta. É preciso se perguntar “fé em quê”?

 

Jesus sabia disso muito bem. Alertou para o perigo de ter como objeto da fé tesouros passageiros. Ele instruiu os seus discípulos dizendo: “Pois onde estiverem as suas riquezas, aí estará o coração de vocês”. (Lucas 12.34) Que promessas perseguimos? Que tesouros buscamos na vida? Depois de alertar que a vida é mais do que comida e bebida, bens materiais, Jesus pede aos seus discípulos que “ponham em primeiro lugar na sua vida o Reino de Deus, e Deus lhes dará todas essas coisas.“ (Lucas 12.31)

Biblicamente falando, fé é dom de Deus (Efésios 2.8). Não se deixa desenvolver em laboratório nem ser comprada no comércio. Porém, pode ser despertada: “Portanto, a fé vem por ouvir a mensagem, e a mensagem vem por meio da pregação a respeito de Cristo” (Romanos 10.17). Falar de Jesus e de seus feitos tem como objetivo despertar a fé de cunho cristão nas pessoas. É a fé que faz discípulos, pessoas dispostas a seguir o caminho que Jesus trilhou. Ela é mais do que uma esperança. É uma certeza: “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem.” (Hebreus 11.1)

Embora a fé cristã seja dom de Deus, o seu conteúdo pode ser ensinado e aprendido desde a mais tenra idade. O menino Jesus se aplicou aos conteúdos da fé, “enchendo-se de sabedoria”. Com doze anos ouvia e questionava os doutores da Lei do seu povo. Seu interesse e inteligência impressionavam os que o ouviam. (Lucas 2.39-52) Certamente Jesus contou com o incentivo e envolvimento dos seus pais nesse processo de aprendizagem. A família é muito importante nessa primeira fase de assimilação de conteúdos da fé: “Guardem sempre no coração as leis que eu lhes estou dando hoje e não deixem de ensiná-las aos seus filhos. Repitam essas leis em casa e fora de casa, quando se deitarem e quando se levantarem.”

(Deuteronômio 6.6-7) Maria e José sabiam que é no convívio familiar que se dão os primeiros passos sobre assuntos da fé. Contar os feitos libertadores de Deus na história do povo desperta e alimenta essa fé.

Depois de adulto, Jesus não se descuidou da tarefa de ensinar os seus próprios discípulos. Essa era, pois, a função de um mestre: “— Venham comigo, que eu ensinarei vocês a pescar gente.” (Marcos 1.17) O evangelista Mateus dá bastante ênfase ao aspecto do ensino dos conteúdos da fé (Mateus 28.19-20). Os discípulos de Jesus receberam a tarefa de ensinar as pessoas a respeito das promessas de Deus. A Igreja tem o compromisso de ajudar as pessoas nesse processo de “aprendizagem, testemunho e vivência de sua fé” (Subsídios sobre o Ensino Confirmatório e a Confirmação. Editora Sinodal, 1988, p. 9) Igreja é a escola da fé e da vida. Sua tarefa é repassar valores cristãos fundamentais para a promoção e preservação da boa criação de Deus.

 

Pastor Luis Henrique Sievers - Pastorado Escolar CSGA

Fé sem formatura

Na fé cristã não há formatura! As pessoas mudam. Segundo o apóstolo Paulo, “quando eu era criança, falava como criança, sentia como criança e pensava como criança. Agora que sou adulto, parei de agir como criança.” (1 Coríntios 13.11) Cada fase da vida merece uma atenção especial. A fé se manifesta em cada uma dessas etapas de maneira diferente. Nas palavras do apóstolo: “Tive de alimentá-los com leite e não com comida forte, pois vocês não estavam prontos para isso. E ainda não estão prontos.” (1 Coríntios 3.2) Em questões de fé, como na vida, experimentamos crescimento. Nunca estamos plenamente prontos. Há sempre novos assuntos para aprender.

As pessoas se desenvolvem dentro de um contexto social, cultural, ecológico, político, econômico e até psicológico que também está em constante transformação. A aprendizagem dos conteúdos da fé tem por finalidade capacitar o cristão a viver o Evangelho dentro de cada novo contexto. O desafio de ser “sal da terra e luz do mundo” (Mateus 5.13-16) se renova constantemente.

A família, a comunidade e a convivência entre irmãos e irmãs na fé em Cristo são espaços especiais, onde se pode aprender e viver os ensinamentos de Jesus. Pais deveriam, como Maria e José, promover  e incentivar o acesso das crianças aos conteúdos da fé cristã.Embora a fé cristã seja dom de Deus, o seu conteúdo pode ser ensinado e aprendido desde a mais tenra idade. O menino Jesus se aplicou aos conteúdos da fé, “enchendo-se de sabedoria”. Com doze anos ouvia e questionava os doutores da Lei do seu povo. Seu interesse e inteligência impressionavam os que o ouviam. (Lucas 2.39-52)

Cursos oferecidos pela comunidade ou outras instâncias da Igreja, por exemplo, ajudam na compreensão de determinados temas. Encontros de grupos específicos, como de crianças, jovens, mulheres, homens, de famílias e idosos são uma oportunidade de aprender e trocar ideias sobre a maneira mais eficiente de promover a fé, a justiça, a paz, a esperança e o amor no mundo.  Seminários e leitura de livros ajudam no aprofundamento de questões importantes. A dúvida, a curiosidade e a pergunta fazem parte da vida cristã. Isso leva ao crescimento na

fé. 

A educação cristã, para ser eficaz, deve ser contínua. Nesse sentido, não há diploma para a fé. A revelação de Deus se dá a cada manhã, a cada novo dia.

 

Como diz a canção, é “vento que anima e faz viver”. Trata-se de uma aventura fascinante rumo ao Reino de Deus. O apóstolo Paulo tem consciência de que, mesmo sendo adulto, ainda tem muito que aprender: “O que agora vemos é como uma imagem imperfeita num espelho embaçado, mas depois veremos face a face. Agora o meu conhecimento é imperfeito, mas depois conhecerei perfeitamente, assim como sou conhecido por Deus.” (1 Coríntios 13.12) Participe dessa aventura fascinante!

 

Pastor Luis Henrique Sievers - Pastorado Escolar CSGA

Fé luterana

A diversidade de religiões no Brasil é uma coisa impressionante. Elas se multiplicam rapidamente. Nas cidades, encontramos uma denominação em cada esquina. Cada uma delas com sua visão do mundo e de Deus. As denominações cristãs recebem a sua identidade de Jesus Cristo. Mas cada uma delas fala da fé em Jesus de uma forma diferente. A fé luterana também tem o seu jeito. Você que estuda ou tem filhos numa escola luterana saberia identificar o que caracteriza o jeito luterano de ser Igreja de Jesus Cristo neste mundo?

Para ajudar você, destaco alguns distintivos, entre outros, da fé luterana:

- Deus se reconcilia com o ser humano por amor. Os luteranos confessam a gratuidade do Evangelho. O ser humano é justificado somente por graça e fé. “A nossa mensagem é esta: Deus não leva em conta os pecados dos seres humanos e, por meio de Cristo, ele está fazendo com que eles sejam seus amigos.” (2 Coríntios 5.19) A transformação da religião em empresa ou negócio para adquirir favores de Deus ofende o amor de Jesus Cristo.

 

- Não dá para substituir a fé pelo êxtase. Quem procura somente o êxtase e a adrenalina, via de regra, quer apenas uma aventura. É claro que a fé toca nas dimensões afetivas do ser humano, mas ela mantém “a cabeça no lugar”. Precisamos, sim, de mais emoções. No entanto, é preciso estar atento ao fato de que paixão religiosa e fé não são exatamente a mesma coisa. A fé tem a sua inteligência. Por isso, os luteranos defendem uma educação pública e/ou privada de qualidade, onde as dimensões da fé tenham seus espaços.

 

- A fé luterana é contra a privatização da religião. Ela é assunto por demais importante para ser deixado apenas para o indivíduo. Fé define conduta e de acordo com ela agimos. É assunto, portanto, de comunidade e de sociedade. Ela envolve ética, moral e valores que definem nosso jeito de ser e viver. O luterano fala de religião publicamente e a vive em Comunidade. Ele precisa do outro para chegar a Cristo. “O Espírito Santo transforma massa em Comunidade.” (Gottfried Brakemeier)

 

- O luterano fala de autoridade e não de autoritarismo em assuntos de fé. Jesus Cristo é o senhor. Ele tem autoridade entre os cristãos. O poder entre eles, no entanto, deve ser colocado sobre muitos ombros. Tanto os membros leigos como os dos Ministérios com ordenação são responsáveis pela condução da Igreja. O próprio Jesus chamou e enviou discípulos para anunciar a boa notícia da chagada do reino de Deus entre nós.

 

- A fé cristã também tem responsabilidade pública. Não foge do seu compromisso social. Quando a vida humana e a ética estão em jogo, a Igreja não pode se excluir de dizer uma palavra profética. Ela não se mete em política partidária, mas se mete nos assuntos da “polis” (grego: cidade), que deve tratar bem todos os seus cidadãos.

 

- Os luteranos são ecumênicos. O problema entre os cristãos não é a diversidade, mas os conflitos e desentendimentos que levam ao combate uns dos outros. A comunhão dos santos não suporta guerras. Uma comunidade cristã em constantes desavenças não tem futuro. As brigas entre as Igrejas são um escândalo e um empecilho para a divulgação do Evangelho de nosso senhor Jesus Cristo. 

Isso não é tudo. Mas dá para ter uma idéia de alguns princípios dentro dos quais os luteranos agem e pensam.“Como dizem as Escrituras Sagradas: Rios de água viva vão jorrar do coração de quem crê em mim”. (João 7.38) O amor é, na verdade, a marca de identidade do cristão. Jesus é a fonte de água viva. Ele veio servir e não para ser servido. 

P. Luis Henrique Sievers - Pastorado escolar CSGA