MEDITAÇÕES

A Palavra de Deus é a relíquia das relíquidas, a única, na verdade, que nós, cristãos, reconhecemos e temos. (MARTIN LUTERO)

Sofrer pelo bem ou pelo mal?

De alguma forma nós somos afetados pelas estações do ano. O verão, o outono, o inverno e a primavera influenciam nosso comportamento, nossos sentimentos, nossas vestimentas e até o que comemos e bebemos. Não é diferente com o calendário litúrgico. Nele também encontramos estações que nos levam a refletir sobre os diversos aspectos da fé cristã.

Na última quarta-feira de cinzas, entramos no período da Quaresma, tempo de preparação para a Páscoa. Nessa estação somos convidados a meditar sobre os desertos da nossa vida e seus sofrimentos: solidão, angústia, incertezas, miséria, discriminações e violências. Onde estão as cinzas do nosso viver? O ser humano tem a tendência de transferir a culpa dos seus sofrimentos para terceiros. Mas, em que medida, nós mesmos somos responsáveis por muitas de nossas dores e pelas dores daquelas pessoas ao nosso redor? Quando somos capazes de reconhecer o nosso próprio pecado, desenvolver o autêntico arrependimento e o desejo de mudança, uma nova realidade começa a brotar.

Quaresma é, portanto, um tempo de oração, de penitência, de purificação para que uma nova vida possa surgir em nós e através de nós. Para que isso aconteça de verdade é preciso uma certa dose de compromisso, de esforço pessoal, como escreve Pedro para as comunidades cristãs perseguidas da Ásia Menor: “Como vocês serão felizes se tiverem de sofrer pelo que é certo! (…) Porque é melhor sofrer por fazer o bem, se for essa a vontade de Deus, do que por fazer o mal.” (1 Pedro 3.14 e 17).

Você sofre por fazer o bem ou por fazer o mal? Essa é a pergunta que nos é feita pelo texto. O novo e o bom, que nós queremos e esperamos não vem sem esforço e uma dose de sofrimento pessoal que faz sentido. Batismo vem da palavra grega “baptisma”, que significa lavar-se, limpar-se de toda a sujeira do corpo, como fazemos num banho, por exemplo. Ao longo de nossas vidas precisamos nos limpar, por fora, várias vezes. Quaresma é um convite para nos limparmos por dentro, diariamente.

Batismo é coisa ainda mais profunda, escreve Pedro para a comunidade: “é o compromisso feito com Deus, o qual vem de uma consciência limpa” (3.21). Batismo é compromisso com Jesus, sabendo que em suas palavras e ações nós encontramos a salvação, libertação do pecado pelo perdão. Sofrer por fazer o bem traz, de alguma forma, felicidade, escreve Pedro; no mínimo uma consciência limpa, tranquila. Também é verdade que a sabedoria popular costuma dizer que “de boas intenções o inferno está cheio”. Talvez porque muitas pessoas fazem o que elas acham que é bom e melhor, não o que Deus tem de bom para o ser humano.

Para as pequenas comunidades da Ásia Menor, Pedro recomendou aos batizados: “Portanto, abandonem tudo o que é mau, toda mentira, todo fingimento, inveja e críticas injustas.” (2.1) “Se algum de vocês tiver de sofrer, que não seja por ser assassino, ladrão, criminoso ou por se meter na vida dos outros. Mas, se alguém sofrer por ser cristão, não fique envergonhado, mas agradeça a Deus pelo fato de ser chamado por esse nome” (4.15 e 16). Quando ele escreve sobre como administrar bem os dons que Deus nos deu, lembra que cabe ao bom cristão usar “o seu próprio dom para o bem dos outros”.

Essas orientações ainda fazem bem para nós na Quaresma de 2021. Também poderíamos acrescentar e recomendar a ferramenta do diálogo, para melhorar nossas relações. É inegável que vivemos tempos de polarizações. “Os nervos estão à flor da pele”, como se diz. Temos cada vez mais dificuldades de ouvir uns aos outros em todos os setores da vida. Nós nos acostumamos a tratar os que pensam e vivem diferente como inimigos e, por isso, precisam ser eliminados. Se não pensam e vêm o mundo como eu, não prestam. Falta compromisso com o diálogo. Afinal, como diz um ditado popular, “é conversando que a gente se entende”. Necessitamos encontrar caminhos de superação de todas as formas de violência, promover a dignidade das pessoas, superar o ódio e fortalecer a convivência pacífica nas diferenças, inspirados no amor de Cristo.

“Então, de agora em diante, vivam o resto da sua vida aqui na terra de acordo com a vontade de Deus e não se deixem dominar por paixões humanas” (4.2).

 

Pastor Luis Henrique Sievers


Lajeado/RS - Quaresma de 2021

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