Comunidade Evangélica de

Confissão Luterana em Lajeado
 

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MEDITAÇÕES

A Palavra de Deus é a relíquia das relíquidas, a única, na verdade, que nós, cristãos, reconhecemos e temos. (MARTIN LUTERO)

Passos pedagógicos de Jesus

Quem tem uma mensagem para transmitir precisa pensar no jeito como vai fazer isso. Um bom conteúdo corre o risco de ser prejudicado pela forma de ser comunicado. Isso não é diferente para os cristãos. Somos chamados por Jesus para comunicar a sua mensagem. A tarefa nos parece, muitas vezes, impossível. Sentimo-nos como vasos de barro que carregam um tesouro, frágeis e sem jeito. (2 Coríntios 4.7)

 

No entanto, cremos que esta mensagem pode despertar a fé, acender a chama da esperança e promover a prática do amor fraterno. A comunicação tem um poder transformador. Podemos usar os mais modernos recursos e as mais variadas técnicas. A mensagem precisa chegar às pessoas, para que possa produzir os seus frutos: “Portanto, a fé vem por ouvir a mensagem, e a mensagem vem por meio da pregação a respeito de Cristo.” (Romanos 10.17). Como vamos fazer isso?

 

Quem nos chama para comunicar também é aquele que nos ensina a fazer isso. Tomemos como exemplo o episódio do caminho para Emaús (Lucas 24.13-35). Vamos perceber que todo o nosso corpo comunica, não apenas as nossas palavras. Gestos, movimentos e olhares fazem parte desse processo de comunicação da mensagem de Jesus. Vejamos:

- Jesus se aproxima dos dois discípulos. Não fica de longe, apenas assistindo o que se passa com eles. Pelo contrário, ele chega perto e caminha um bom trecho ao lado deles, em silêncio. Observa e escuta.

- Para entender melhor a situação deles, Jesus pergunta: “Sobre o que vocês estão conversando pelo caminho?” Ele quer saber quais as suas alegrias, temores e necessidades. A realidade concreta de cada  pessoa é o princípio de toda ação em favor de alguém. Jesus não pergunta por mera curiosidade, mas para saber como melhor ajudar aqueles dois.

- Jesus ouve, com paciência, o que eles têm a dizer. Eles relatam os últimos acontecimentos. Descrevem como se sentem. Saber ouvir faz parte da comunicação. Mensageiro não atropela a realidade, mas insere a sua mensagem dentro dela. Quem não ouve o que a outra pessoa tem a dizer, fracassa na comunicação. Erra o alvo. Pois “é conversando que a gente se entende!” 

- Só depois de se aproximar, caminhar junto e ouvir aqueles dois discípulos, Jesus fala. Ele explica as Sagradas Escrituras do seu tempo. Busca pistas para ajudar os dois a entenderem tudo o que aconteceu com ele, sua vida, morte e ressurreição. Para que os outros entendam o que nós temos para anunciar, é preciso estar por dentro do conteúdo da mensagem e saber explicá-lo. Nesse caso, a Bíblia é uma ferramenta muito importante.

- Jesus fica o tempo necessário com os dois discípulos. É noite e eles querem hospedá-lo Aceita o convite. Fica mais um pouco. Tem comunhão de mesa com eles. Quando Jesus dá graças e reparte aquela refeição, ele é reconhecido: “Aí os olhos deles foram abertos”. Gestos e símbolos também nos ajudam a revelar a mensagem. Só palavras não resolvem. Liturgias também comunicam.

- Mas chegou a hora de Jesus partir. Ele alcançou o seu objetivo: deixou o coração deles “queimando dentro do peito”. A mensagem chegou ao seu destino. O processo de comunicação foi completado. Eles estão prontos para andarem com as próprias pernas. Tornaram-se mensageiros. Receberam o peixe e aprenderam a pescar. Recuperaram a esperança.

- Com “o coração queimando dentro do peito”, esses dois discípulos saíram para o encontro com os outros. Compartilharam a sua experiência. Anunciar a palavra de Deus é tarefa coletiva, comunitária. Missão não acontece sem comunidade de fé. Ainda hoje, reconhecemos a presença de Jesus no partir do pão em nossas comunidades: “Dado e derramado em favor de nós!”

 

Comunicação se faz com “o coração ardendo dentro do peito”.

 

A mensagem transforma, em primeiro lugar, o próprio mensageiro. Toca-o, convence-o, toma conta do seu coração. Só então ele vai e fala. Não será esse “ardor” o sinal da presença do Espírito Santo de Deus? 

 

P. Luis Henrique Sievers